sábado, 28 de junho de 2008

A alienação do capitalismo pela publicidade ou vice-versa... Nem quero pensar


Acontecem algumas coisas com a gente que se contadas a um extraterrestre seriam tidas como absurdas e de outra galáxia, pois é... E são!

Vou tentar descrever sobre essas “anomalias” do comportamento humano, que me deixam ao menos inquieto.

É pecado não trabalhar...

Já ouvi de diversas pessoas e confesso já tive esses pensamentos, o de se sentir culpadas por estarem no seu serviço sem fazer nada, mesmo que seja por 5 minutos sequer, não produzir é pecado... Ou melhor, a preguiça é um dos sete pecados capitais, QUE HORROR!!!

É um ritmo tão voraz e alucinante que te faz perder a respiração por diversas vezes durante o dia, como se o simples fato de inspirar e expirar fosse te custar segundos preciosos, tudo implantado em nós como naquelas cartilhas usadas no pré onde o A é de Amor, etc.

Tornamos-nos parte disso e ao mesmo tempo em que somos caça somos caçadores, chicoteamos e somos chicoteados, algo que, se alguém parasse todo o sistema estaria fadado ao fracasso.

Chega de delongas, quero apenas desabafar o que vejo nos dias atuais, um mundo em que o homem é apenas algo programado, que age e tem comportamentos totalmente estabelecidos por um sistema que usa isso como arma de dominação, não se assustem não estou falando aqui de qualquer teoria da conspiração, mesmo que possa deixar os menos céticos com o pé atrás, mas isso com certeza... Se pensarmos no simples fato de quando ligamos a TV em 90% das vezes é nos apresentado uma cena de violência, pode nos indicar que o melhor a fazer é não sair de casa, e o que nos sobra, tcharam...Isso mesmo assistir essa mesma TV.

Quinta-feira ,me deparei com uma cena inusitada que me fez pensar, não sei se pensar é a palavra mais adequada, sobre o que fazemos e até onde isso faz parte das nossas próprias idéias, opiniões e partindo para um caráter mais sensacionalista algo que faça parte da nossa moral é ética.

Uma mulher estava passando com seu filho pela catraca do metrô, e pediu para ele passar por baixo e eis que o pequeno a interpolou com o seguinte questionamento.

- mãe porque a senhora passou por cima e eu por baixo?

E a senhora responde. – Porque sim.

Uma resposta que provavelmente você já deva ter dito e escutado diversas vezes, ok não sejamos hipócritas, às vezes é necessário ser um pouco menos detalhista, ao que todos já sabem - TIME IS MONEY.

Esse é o ponto-chave. Todo o sistema atual é regido pelo Senhor Cifrão, homem com grande prestigio e de sobrenome renomado na sociedade, faz valer seu poder e passa por cima de qualquer um que se apresentar em sua frente, um verdadeiro tirano.

Algo que me deixa menos confortável ainda é pensar em ser tratado como o funcionário Mor dessa engrenagem que se no passado nos engoliu (vide Chaplin) hoje faz parte de nos, já que como futuro publicitário que serei, sou visto como o grande tenor dessa orquestra. Que faz da arte da persuasão seu instrumento de dominação e de impor sua vontade, a de vender, a quem quer que seja, mesmo que esse não tenha dinheiro para comprar.

Quando vejo nos anúncios atuais a preocupação com a sustentabilidade, de como é importante pensar no planeta ou até mesmo no patrimônio artístico e cultural, isso me deixa deverás orgulhoso, mas não menos irritado de como ainda se esquecem dos que não podem comprar, dos que na verdade lutam para sobreviver, e lutam mesmo.

Já que temos tanta força de comunicar, porque não comunicamos um pouco o lado ser humano de ser, de pensar, de agir por vontade própria, associar a comunicação das empresas a esse tipo de ação não vai fazer suas vendas caírem, no máximo o que pode acontecer são as pessoas comprarem algo que realmente queiram e se sintam orgulhosas de terem feito o que queriam fazer e o mais importante sabendo o porquê daquilo, não simplesmente engolindo a celebre frase que dominam suas mentes, a do PORQUE SIM... Afinal, isso NÃO É RESPOSTA.

A tah! voltando um pouco o fato citado na estação de metrô, quando disse que ele era inusitado, acabei deixando passar que a catraca que a mulher passou era livre, ou seja, não entendi porque o menino passou por baixo, mas nem ousei pensar em perguntar, depois daquela resposta, iria no mínimo me chamar de louco.

Nave Q.I desligando...